Eleição vai, eleição vem e começam as propagandas nos meios de comunicação ressaltando sobre a importância do voto. Momento único em que individualmente se marca com uma dedada o nome do cidadão que vai ser representante de alguns que apostaram nele. Terá a missão de realizar os anseios e responder pelos interesses desse grupo, procurando encontrar consenso entre o que cada grupo quer e o que é possível fazer.
Com isso, podemos ficar com a consciência tranquila e aproveitar nossa liberdade para fazer coisas mais agradáveis... deixar para o representante significa se abster da responsabilidade e saber que alguem vai cuidar e se não cuidar nos arrumamos outro pra cuidar.
Não pertencente à elite politica brasileira caberá delegar à classe que detém o poder representativo tudo que não cabe na rotina de nossas vidas, torcendo para que as nossas escolhas não levem até a cúpula das arenas decisórias representantes despreparados que podem não satisfazer muitas vezes à governabilidade aceitavel. Caso contrário, a sociedade terá que se organizar para cobrar e isso leva tempo e desgaste de todos os setores.
Existem pesquisas que mostram que quanto maior a participação maior também a ascensão socialmente: a idéia é de que a participação política , por meio do voto, teria propiciado uma capacidade de organização, reinvindicação e pressão aos donos do poder, trazendo benefícios mais rápidos às classes menos favorecidas. Essas pessoas provavelmente se engajaram em discussões sobre o destino de seu município, estado e país. Não significa que concordaram com as resoluções mas de alguma forma não foram sujeitos passíveis de seus destinos.
Assim, o voto nas urnas, mesmo sendo tão criticado poderia ser o grande instrumento de cobrança dos cidadãos e, para muitos poderia ser o despertar do interesse pela política. De acordo com essas pesquisas se a população mais pobre visse o voto dessa perspectiva e entrasse no processo político ela passaria a ter um canal de comunicação com o governo que geraria maiores chances de ter suas demandas atendidas. Hipótese que não pode ser de todo descartada.
Mas existem dois problemas a ser enfrentados pelos cidadãos que pretendem ter esse engajamento:
Primeiro que o sistema em que se vive no Brasil não é propício para que se pare para pensar e discutir sobre quais são as demandas que cada grupo quer e muito menos averiguar e cobrar essas demandas após a posse dos representantes.
Segundo, os muitos analfabetos funcionais que apenas comparecem no dia do voto com uma “cola” nas mãos sem nem saber o nome de quem estão votando. Quando a população mais pobre entra no processo político, ela passa a ter um canal de comunicação com o governo e gera maiores chances de ter suas demandas atendidas.
Essa ligação até poderia ser verificada não fosse o IBGE levantar dados das eleições sem atualiza-los: é que a maioria dos brasileiros mantém o mesmo título de eleitor com o qual se inscreveu quando adolescente. Com isso, a escolaridade daqueles que votam e conservam seu título para o resto da vida fica desatualizado e não é possível fazer uma pesquisa qualitativa sobre a possível relação entre educação de qualidade, ascensão social e representação coerente com o que a população almeja.
A pergunta que fica então é a seguinte: é um mau sistema educacional que dificulta o voto popular ou é o povo que não foi educado pelo sistema para votar e participar politicamente? Talvez a presença de segmentos de menor renda no sistema político poderia explicar uma expansão educacional e consequentemente uma vida melhor para todos os representados do nosso país...
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